quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Ministério de Jesus em Cafarnaum

INTRODUÇÃO

Neste trabalho estaremos focalizando o ministério do Senhor Jesus Cristo especialmente na cidade de Cafarnaum, e procuraremos abranger os eventos que acompanharam seu ministério, incluindo alguns povoados vizinhos.
Desde a visita do americano E. Robinson em 1838 que viu ruínas a céu aberto, onde árabes “Semekiyeh” tinham algumas tendas. A arqueologia vem empreendendo esforço trabalhando na região de Cafarnaum. Em 1866 o arqueólogo inglês C. W. Wilson fez uma sondagem dentro da sinagoga, onde descobriu tumbas monumentais. Em 1905 os arqueólogos escavaram a sinagoga pela primeira vez descobrindo assim, de 1906-1915, uma parte da antiga aldeia e os restos de uma igreja octogonal. Tendo estado parada as investigações de Cafarnaum durante quarenta anos, desde a morte de Gaudence Orfali, os arqueólogos retomaram o trabalho desde 1968 concentrando-se sobre os edifícios públicos, a igreja octogonal e a sinagoga. Assim foi descoberta a casa do apostolo Pedro e os restos da sinagoga do primeiro século que fora construída pelo centurião romano. Com isso ampliou-se uma maior área do antigo povoado o que acabou trazendo um maior conhecimento sobre a historia de Cafarnaum. Estas descobertas tem contribuído bastante para maior compreensão de alguns fatos bíblicos já que nos fornecem varias informações sobre a cidade de Cafarnaum.
Nos tempos de Jesus, Cafarnaum gozava de aspectos especiais; era local de fronteira, dotado de aduana (estabelecimento para cobrança de imposto) Mc. 2.13-15, e era atravessada por uma grande via imperial que conduzia a Damasco.
Cafarnaum mantinha relações comerciais com a alta Galiléia, Síria, Fenícia, Ásia Menor, Chipre, África e com Roma. Isto é comprovado pela grande quantidade de moedas dessas regiões e de cerâmica importada das mesmas.
As escavações de Cafarnaum facilitaram bastante a ambientação de muitas passagens dos evangelhos.

Breve comentário inicial

Tendo nascido na cidade de Belém da Judéia, cumprindo assim o que Deus havia previsto através do profeta Miquéias, o Senhor Jesus (Mt. 2.4-6), ainda criança, foi levado por seus pais ao Egito onde se refugiaram da ira de Herodes que desejava matar a criança (Mt. 2.13,14). Ao retornarem do Egito os pais de Jesus resolveram habitar em Nazaré, região da Galiléia, visto que ficaram receosos de habitar na região da Judéia, pois Arquelau, filho de Herodes, estava reinando no lugar deste (Mt.2.19-23). Foi ali em Nazaré que Jesus passou sua infância e juventude.
Depois de batizado por João Batista, nosso Senhor foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo Diabo (Mt.4.1-11). Depois dos quarenta dias de jejum no deserto, retornando novamente a Betábara, onde fora batizado por João, recebeu o testemunho deste e teve também o encontro com seus primeiros discípulos (João 1.29-42). Depois disso Jesus viajou a Caná da Galiléia onde realizou seu primeiro milagre em uma festa de casamento, transformando água em vinho, pois ali se encontrava como convidado (Jo.2.1-11). Com este milagre o Senhor não somente supriu uma necessidade, livrando os anfitriões de um grande vexame por haver faltado vinho, mas também fez com que seus discípulos cressem nEle.
 De Caná Ele partiu para Cafarnaum com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos e ali ficaram durante alguns dias (Jo.2.12). Depois disto, quando estava próxima a páscoa judaica, Jesus resolveu voltar a Jerusalém para assistir a festa. Foi quando se deu a “purificação” do templo (Jo.2.14-16). Animais e aves para os holocaustos estavam sendo vendidos na área do templo para benefícios de peregrinos que não pudessem trazer consigo ditos sacrifícios, por terem vindos de longas distâncias. Os cambistas trocavam moedas estrangeiras por judaicas, afim de que os peregrinos provenientes de outros paises pudessem comprar os animais. Jesus fazia objeções ao comercialismo nos recintos sagrados. E também parece que tanto o preço como as taxas de câmbio eram exorbitantes. O povo que deveria está adorando a Deus, de acordo com seus preceitos estabelecidos com relação à páscoa estava se aproveitando da ocasião para buscarem seus próprios interesses econômicos e por isso o Senhor Jesus o repreende pois, faziam da casa de Deus negocio. Aqui, mediante a purificaçao do templo, ele declarou publicamente ter autoridade sobre a adoração dos homens. E também, nesta ocasião, pela primeira vez mencionou sua morte e ressurreição (Jo. 2.19), ao afirmar que em três dias reedificaria o templo (seu próprio corpo) que os lideres religiosos derrubassem. Retornando de Jerusalém para a região da Galiléia, Jesus passa por Samaria, mais especificamente por um povoado chamado Cicar (Jo.4.1-42) onde, no poço de Jacó, revelou à mulher samaritana que Ele era o messias. Este evento, também, é algo muito marcante no ministério de Jesus, pois aqui Ele quebra alguns tabus, como por exemplo; discriminação racial, social e religiosa, além de deixar vários outros ensinamentos, inclusive sobre a verdadeira adoração.  Depois, Jesus chegou a Caná, onde se encontrava um oficial do rei, o qual estava com o filho doente em Cafarnaum (Jo.4.46-54). Quando o oficial ficou sabendo que Jesus se encontrava na Galiléia saiu a sua procura e encontrando-o suplicou-lhe que fosse curar seu filho. Tendo Jesus curado o filho do oficial, este, com toda sua casa, creu no Senhor Jesus.
Depois do primeiro ano de seu ministério público Jesus mudou o foco de suas atividades para a Galiléia e durante uns dezoito (18) meses trabalhou entre os galileus, visitando os povoados que rodeavam o mar da Galiléia. Durante o primeiro ano de seu ministério na Galiléia, Jesus despertou um grande entusiasmo e o carinho dos galileus para com sua pessoa, devido à obra que fazia.
Em Jerusalém Jesus ouviu falar do aprisionamento de João Batista (Mc.1.14), então viajou à Galiléia para começar seu ministério. Chegando a Nazaré, onde havia sido criado, em um dia de sábado Jesus entrou na sinagoga, como era de costume, e levantando-se para lê entregaram-lhe o livro do profeta Isaias. Abrindo o livro Jesus encontrou o lugar onde está escrito; O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação de vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor (Is.61.1,2). Depois de ter feito a leitura fechou o livro e devolveu-o ao assistente, e começou a dizer-lhes; “hoje se cumpriu a escritura que vocês acabaram de ouvir”. Todos ali estavam admirados com as palavras de graça que saiam dos lábios de Jesus e, todos falavam bem dEle. Porém, alguns perguntavam; não é este o filho de José? Jesus percebeu a incredulidade e dureza de coração por parte do povo. Foi quando Ele falou que nenhum  profeta é aceito em sua própria terra. Daí começou mostrar, através das escrituras, que algumas vezes Deus enviou profetas e efetuou milagres na vida de pessoas que não pertenciam ao povo de Israel, enquanto este, por causa de sua incredulidade, não experimentava os mesmos milagres ou  providencia de Deus. Tendo dito isso, e outras coisas relacionadas a sua missão, os que estavam na sinagoga ficaram furiosos e os incrédulos intentaram contra a vida de Jesus, querendo precipita-lo do cume de um monte. Isto o levou a fixar sua residência na cidade de Cafarnaum, onde centralizou seu ministério.
Leitura na sinagoga: vários itens daquele sermão deixaram ses ouvintes indignados: sua clara reivindicação de ser o Servo do Senhor, conforme Isaias, o fato de ele ter cessado a leitura imediatamente antes da referência ao “dia da vingança” (Is. 61.2) e o subentendido que seu ministério incluiria gentios.
 Enquanto Jesus proclamava as boas novas de Deus na Galiléia, acontece o chamamento dos quatro discípulos; Simão e seu irmão André e os filhos de Zebedeu, Tiago e João, quando Jesus andava a beira do mar (Lc.5.1-11;Mc.1.16-19;Mt.4.18-22). Estes estavam trabalhando quando foram chamados por Jesus. O fato de que eles tinham empregados, prova que seu negócio era rentável.
No evangelho de João 1.35, já fora indicado que havia um conhecimento preliminar de Jesus por parte de André, João (por inferência) e Simão Pedro, e isso explica porque agora se dispuseram a abandonar sua profissão de pescadores, a fim de seguirem a Jesus.

CAFARNAUM.
 A aldeia de Naum ou de Consolação[1]. A noroeste do mar da Galiléia, na região de Zebulom e Naftali (Mateus 4.13-16; Lucas 4.31; João 6.17-24). Era centro de cobrança dos impostos (Marcos 2.1,14) e posto militar do império romano (Mateus 8.5-13; Lucas 7.1-10) era centro comercial e industrial, e por isso atraia diversos povos e raças. Ficava perto de outras cidades, localizadas à beira do lago da Galiléia. Caminho do trafico do comercio dos povos, inclusive os gentios. A Galiléia era a fronteira entre Israel e o mundo exterior. [2]
As autoridades religiosas e os judeus de raça pura desprezavam os habitantes de Zebulom e Naftali, tribos da Galiléia. Nos dias de Salomão vinte cidades dessa região foram anexadas ao reino de Tiro. E durante o primeiro cativeiro os assírios renovaram quase toda a população para servirem como escravos, e depois, quando alguns retornaram nunca foram racial ou religiosamente puros, por isso ficaram sendo a “Galiléia dos gentios”. O texto de João 1.45,46 nos mostra como os galileus eram vistos. A região dessas cidades e parte do território de Tiro formavam a fronteira entre Tiro e Israel e a população naturalmente se mesclou. O idioma adquiriu um sotaque bastante diferente do da Judéia. A distancia, entre a região da Galiléia e a capital, Jerusalém, impedia a participação política e religiosa com os outros judeus. E portanto, a Galiléia foi considerada parte inferior do país (João 7.41) “por ventura o Cristo virá da Galiléia?” (vs, 52) “examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta”. Assim é que o palco principal do ministério do Senhor Jesus Cristo ficou sendo o território detestado, “a região das trevas e da morte espiritual”.

Destacaremos alguns eventos ocorridos na cidade de Cafarnaum que marcaram o ministério do Senhor neste lugar. Porem não podemos deixar de observar o fato interessante de o porque Deus escolheu exatamente esta cidade para que o Senhor Jesus exercesse seu ministério. Em Mateus 4.12-16 o evangelista narra o fato de Jesus ter ido morar em Cafarnaum, e isso é demonstrado como o cumprimento de uma profecia que se encontra em Is. 9.1,2. o porque da escolha de Cafarnaum? Que podemos entender sobre isso? Como é demonstrado em Isaias, esta região é tida como vivendo nas trevas e em humilhação, ao contrario da região da Judéia onde se concentrava a religiosidade. Onde predomina a religiosidade, com esta sempre se encontra o orgulho e a cegueira espiritual, e os corações se demonstram endurecidos para com a verdade de Deus. Já na região da Galiléia o povo era mais simples e abertos para receber a mensagem do evangelho. E, como veremos, Jesus teve uma boa aceitação por parte daquele povo, comum, podendo assim exercer seu ministério sem dificuldades como provavelmente encontraria em outro lugar.

A pregação na sinagoga (Mc1.21-28;Lc.4.31-37).
Durante o seu primeiro circuito pela Galiléia, Jesus tinha acesso às sinagogas. Por ocasião do segundo, porem, ele já havia perdido esse acesso, pois a oposição já se fizera mui feroz.
Jesus e seus discípulos desceram para Cafarnaum, e logo que chegou o dia de sábado Ele entrou na sinagoga e começou ensinar o povo, deixando todos maravilhados pois ensinava com autoridade. Justo naquele momento, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou com toda força: “Ah!, que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o santo de Deus!” Jesus o repreendeu fazendo-o calar-se e ordenou que saísse do homem, e logo o demônio jogando o homem no chão, diante de todos, saio dele sem feri-lo. Todos ficaram admirados com tal acontecimento perguntando entre si que tipo de doutrina era aquela que se mostrava com tanta autoridade. Uma única sinagoga, em Cafarnaum, é mencionada pelos evangelistas, e ela é a que fora construída pelo centurião romano (Lc. 7.5). Naturalmente a sinagoga era o centro da comunidade hebraica, e Jesus a freqüentava e nela ele pregava e realizava milagres. Alguns fatos ocorridos nesta sinagoga foram: a) A cura de um endemoninhado (Mc.1.21-28). B) Discurso de Jesus sobre o pão da vida (Jo.6.23-71).
Os restos desta sinagoga (do primeiro século), onde Jesus ensinou e que foi construída pelo centurião romano, foram achadas debaixo da monumental sinagoga branca do século quarto.

A casa de Simão Pedro

A comunidade cristã de Cafarnaum tinha uma admiração especial pela casa de Simão Pedro. Esta casa passou rapidamente a ser chamada de “a casa” dos seguidores de Jesus. Os evangelhos mostram que foi o próprio Jesus quem escolheu esta casa como seu lar em Cafarnaum. Se Cafarnaum tornou-se a “cidade de Jesus”, assim a casa de Pedro acabou se

tornando “a casa de Jesus”. Nos evangelhos encontramos numerosas citações relativas a casa de Pedro que nos chamam a atenção. Uma delas é;

A cura da sogra de Pedro (Mc.1.23-31;Lc.4.38-41;Mt.8.14-17).
Logo que saíram da sinagoga foram à casa de Simão e André. Chegando lá, a sogra de Simão estava com febre, de cama, e falaram a Jesus a respeito dela. Ele se aproximou e tomando-a pela mão ajudou-a a levantar-se e logo a febre a deixou, e ela começou a servi-los.
Esta passagem, e outras contem alguns detalhes que os recentes achados arqueológicos podem esclarecer de maneira concreta. O texto nos relata que naquela casa habitavam três famílias, a de Simão Pedro, André seu irmão e a sogra de Pedro. Portanto entendemos que para poder comportar estas, a casa não poderia ser pequena.
Vemos no texto de Marcos 2.1-2. que a cidade se amontoava diante da porta. Assim chegamos a conclusão de que havia um grande espaço livre diante da referida porta. A casa descoberta pelos arqueólogos acha-se ao longo da rua principal do povoado, e dispõe de um espaço livre entre a porta de entrada e a referida rua. Também é observado que o lado sul, até o lago, estava desprovida de casas de vizinhos. Estas são algumas observações que podemos fazer com relação à casa de Simão Pedro, que teve grande importância no ministério de nosso Senhor Jesus Cristo. 
Depois dos acontecimentos em Cafarnaum (como a cura da sogra de Pedro), Jesus visitou as aldeias dos arredores.

 A cura do leproso (Mc.1.40-45).
Estando em uma das cidades vizinhas, passou um homem coberto de lepra. Quando ele viu a Jesus, prostrou se diante dEle e lhe rogou que o curasse. Jesus o curou e lhe ordenou que não contasse a ninguém, porem o homem espalhou a noticia do ocorrido por toda cidade e por isso Jesus já não podia entrar publicamente nas cidades, ficando em lugares mais solitários. Mesmo assim, muitos, de todas as partes, devido às noticias que se espalhavam, vinham ter com Jesus. 
De volta Jesus curou o paralítico (Mc.2. 1-11).
Depois disso Jesus entrou novamente em cafarnaum e o povo ouviu dizer que Ele estava em casa e muita gente se reuniu ali, de maneira que não havia lugar nem junto à porta, e Ele lhes pregava a palavra. Foi nesta ocasião que vieram alguns homens trazendo um paralítico até Jesus. porém, por causa da multidão, não conseguiram se aproximar do Senhor e removendo parte da cobertura do lugar onde Jesus estava, pela abertura do teto, baixaram o paralítico em uma maca colocando-o em frente ao Senhor. Vendo a fé que eles tinham ,Jesus disse ao paralítico: “filho,os seus pecados estão perdoados”. Porém  se encontravam ali alguns mestres da lei, e estes começaram questionar em seu intimo: “porque esse homem fala assim? Esta blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?” Jesus percebeu logo que era isso que eles estavam pensando e chamando a atenção deles mostrou que tinha sim autoridade para perdoar pecados quando operou a cura do paralítico mandando-o levantar-se.

Chamou a Levi (2.14).
 Jesus saiu outra vez para beira mar e uma grande multidão se aproximou dele e Jesus começou a ensina-los.foi quando ia passando viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “siga-me”. Levantando-se Levi o seguiu . foi durante uma refeição na casa de Levi quando se encontravam muitos publicanos e pecadores comendo junto com Jesus que alguns mestres da lei ,que eram fariseus viram-no comendo com pecadores e publicanos perguntaram aos seus discípulos: “porque Ele come com publicanos e pecadores?” e Jesus ouvindo isso lhes disse: “não são os que tem saúde que precisam de medico, mas sim os que são doentes.Eu não vim chamar os justos mas sim pecadores”. Ali Jesus deu vários ensinamentos acerca do Reino de Deus.

Ida a Jerusalém

E mais uma vez Jesus se dirige a Jerusalém para comemorar a páscoa (Jo.5.1) e é ali em Jerusalém onde ele cura um paralítico no tanque de Betesda (Jo.52-9), e outra vez retorna a Cafarnaum e de Cafarnaum ele se dirige ao monte das bem aventuranças Mc.3.13. Foi ali que o Senhor pronunciou o famoso sermão do monte (Mt.5:7-28). É  nesse sermão que o Senhor ensina  vários princípios relacionados à vida cristã ou á conduta dos filhos de Deus, e foi neste monte também que ele designou os doze apóstolos (Mc. 3.13-19). E do monte, retorna para Cafarnaum, quando lhe encontra o centurião. 

Cura o servo do centurião (Mt.8.5-18;Lc.7.1-10).
 Os evangelhos falam claramente de outras três casas alem da de Pedro: a casa de Mateus, onde o Senhor comeu em companhia dos cobradores de impostos e por isso censurado pelos mestres da lei (Mc.2.15-17); a casa de Jairo, um dos lideres da sinagoga, cuja filha o Senhor ressuscitou (Mc.5.22-24,35-43); e a casa do centurião romano (Lc.7.1-10), porem a arqueologia não conseguiu identificar estas casas como também a casa dos apóstolos Tiago e João, que sem duvida residiam em Cafarnaum (Mc.1.19,20).
Entrando novamente em cafarnaum, um centurião dirigiu-se a Ele pedindo-lhe ajuda, pois estava  com o servo muito doente, paralítico, e em suas próprias palavras; “em terrível sofrimento”. Jesus se dispôs ir á sua casa curar seu servo, porem o centurião lhe falou que não era necessário que fosse até sua casa,mas que tão somente ordenasse e seu servo seria curado. Jesus admirou-se da fé desse homem e falou: “não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé”.
            A narrativa de Mateus parece deixar entender que o Centurião se aproximou pessoalmente de Jesus, porem os detalhes apresentados por Lucas nos informam que o Centurião enviou recados a Jesus através de judeus e amigos.
Aos arredores.
 Saindo de cafarnaum Jesus se dirigiu ao povoado de Naim onde ; Ressuscitou o filho da viúva (Lc.7:11-17), recebeu a mensagem de João enviada da prisão (Lc.7:18-23), foi ungido por uma mulher (Lc.7:36-50) ,e pregou nas povoações próximas (Lc.8:1) .Ainda nas cercanias de Cafarnaum Jesus curou o endemoninhado cego e mudo (Mt.12:22-23), e também foi visitado por sua mãe e irmãos (Mt.12:46-50). Por essa ocasião também o Senhor pronunciou a parábola do semeador.(Mt.13:1-23). A seguir Jesus cruzou o mar e acalmou a tempestade.(Mc.4:35-41).
Passados esses acontecimentos o Senhor dirigiu-se rumo a Gerasa onde curou os endemoninhados (Mt. 8.28-34), regressando depois a Cafarnaum.

Ressurreição da filha de Jairo e a cura de uma mulher  (Mc.5.21-43;Mt.9.18-26).
 Tendo voltado, num barco, Jesus foi procurado por um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, que ao ver o Mestre prostrou-se a seus pés, rogando-lhe insistentemente que curasse sua filha. Jesus foi com ele, e uma grande multidão o seguia comprimindo-o. É neste momento que uma mulher, que sofria de uma hemorragia há doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou na borda de seu manto, pois dizia consigo mesma: “se tão somente eu tocar em seu manto ficarei curada”. Voltando-se Jesus, a viu e disse; “Animo, filha, a sua fé a curou.!” E desde aquele instante a mulher ficou curada. Ele ainda estava a falar quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: “tua filha já morreu; por que incomodas o Mestre?” mas Jesus não atendeu a tais palavras e disse ao chefe da sinagoga: “Não temas, crê somente”. E não permitindo que ninguém o acompanhasse, se não Pedro e os irmãos Tiago e João, chegaram à casa do chefe da sinagoga onde viu um alvoroço, os que choravam  e lamentavam-se. Ao entrar Jesus lhes disse: “Porque estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme”. E riam-se. Porem ele mandou sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. Tomando-a pela mão disse: “Talitha kumi”, que quer dizer; menina eu te mando, levanta-te. Imediatamente a menina se levantou e pôs-se a andar, pois tinha doze anos. Então ficaram todos admirados. Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer a menina.
Depois disso podemos ver ou acompanhar no ministério de Jesus, ainda em Cafarnaum e arredores:
Recuperação da vista de dois cegos (Mt.9.27-31) e depois disso voltou a visitar Nazaré novamente, sendo outra vez rejeitado por parte dos seus (Mc. 6.1-6).
Depois:
 Enviou os doze discípulos a pregar, dando-lhes autoridade sobre demônios e para curar enfermidades (Mc.6.6-13).
Recebeu noticias a respeito da morte de João (Mc.6.14-29;Mt.14.1-13), e empreendeu a jornada a pé a Cafarnaum.
Enquanto estava em Cafarnaum seus discípulos retornaram da expedição missionária, em seguida retirou-se para Betsaida, terra de Filipe, André e Pedro.
Alimentou cinco mil homens (Mc. 6.31-44).
Caminhou sobre o mar (Mc. 6.45-52). Foi por essa ocasião que Jesus pronunciou seu discurso sobre o pão da vida (Jo. 6.23-71). Aqui os judeus pedem a Jesus que lhes mostre algum sinal para que creiam, e alegam que Moises deu a seus pais pão do céu, referindo-se ao maná que o povo de Israel comeu no deserto, porem Jesus responde que Moises não lhes deu o pão do céu, mas Deus é quem dá o verdadeiro pão do céu e com isso Jesus referia-se a sua própria pessoa.
Depois de uma viagem à Fenícia, Mc. 7.25-30 onde libertou uma jovem Ciro-fenicia que estava possessa, passou por Decápolis, onde aconteceu a cura de um surdo e gago (Mc. 7.28-37), Betsaida, Cesaréia de Felipe, Monte Hermon onde empreendeu viagem de regresso a Cafarnaum. Foi em Cafarnaum que ele se preveniu de dinheiro para pagar o tributo (Mt.17.24-27), e ali ficou até que houvesse começado a festa dos tabernáculos.
Depois de pronunciar sublimes verdades em Cafarnaum e operar vários prodígios. Os habitantes comportaram-se com uma funesta impassibilidade e impenitência, pelo que o Senhor os advertiu com os mais terríveis juízos (Mt. 11.23-24). Pronunciando lamentações contra as cidades privilegiadas da Galiléia. Mesmo com os ensinos e os milagres operados por Jesus, o povo não se arrependeu nem deu credito a sua mensagem. E assim Jesus saiu da Galiléia para nunca mais voltar, e os últimos meses de seu ministério público ele os ocupou em uma lenta viagem a Jerusalém (Mt.19.1).                   
Estes são alguns fatos que podemos apresentar a respeito do ministério do Senhor Jesus, especialmente na região da galiléia e mais especificamente em Cafarnaum. Não podemos deixar de reconhecer a importância do fato de que o Senhor tenha escolhido esta cidade para exercer a maior parte de seu ministério. Cremos que isso foi plano de Deus, como é afirmado em Mateus 4.12-17. Quando Jesus ouviu que João tinha sido preso, voltou para a  Galiléia. Saindo de Nazaré, foi viver em Cafarnaum, que ficava junto ao mar, na região de Zebulom e Naftali, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaias (9.1,2): “terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, alem do Jordão, Galiléia dos gentios; o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz”. Daí em diante Jesus começou a pregar: “arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”.

     
  

 


BIBLIOGRAFIA
MONEY, Neta Kemp de. Geografia Histórica do Mundo Bíblico
Ed. Vida, Belo Horizonte M.G, 1996
PACKER, J. I. e TENNEY, Merril C. e William White Jr
O Mundo do Novo Testamento. Ed. Vida, São Paulo SP 2002.
GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. Ed. Vida Nova, São Paulo SP, 1978
HALE, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. Ed. Hagnos, São Paolo SP 2002.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado vol. I, Ed. Sociedade Religiosa a Voz Bíblica. Guaratinguetá S P.
DAVIS, John D. Dicionário da Bíblia. Ed. Juerp. Rio de Janeiro, 1996.



[1] Davis, Dicionário da Bíblia. Pág. 94
[2] Champlin, O Novo Testamento Interpretado vol-I, pág.295 

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